Outubro Rosa

UMA COR PARA LEMBRAR DO COLORIDO DA VIDA!
O Outubro Rosa é uma lembrança de que as mulheres precisam se cuidar.
Fazer exames como forma de prevenção é um dos caminhos na busca de uma vida saudável. 

 

A saúde da mulher é uma preocupação antiga, mas a situação da população feminina no país demonstra que o desenvolvimento da área ainda é uma necessidade.
Atualmente, um dos grandes méritos dos profissionais e serviços de saúde tem sido a ampliação não só do acesso à assistência, mas também da qualidade desse trabalho, garantindo cada vez mais que a mulher seja considerada como um todo.

Na década de 1990, nasce o movimento conhecido como Outubro Rosa, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente, com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

UM BREVE HISTÓRICO DA SAÚDE DA MULHER NO BRASIL

A saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX e considerada prioritária no decorrer da história da área no Brasil. Mesmo antes da concepção do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil foi contemplado em 1983 com o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). Porém, apesar da priorização da saúde da mulher nas políticas brasileiras, foram preconizadas as ações materno-infantis, ou seja, a assistência era prestada fundamentalmente no período da gravidez, parto e pós- parto.

Nos programas iniciais, a atenção à saúde da mulher era restrita, não visualizando a paciente na sua totalidade, mas apenas como “a mãe”, “a esposa” ou “a grávida”. Por isso, questões não relacionadas à gravidez, ao parto e ao cuidado dos filhos eram relegadas ao segundo plano.

Somente em 2004, com a Política Nacional de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), houve a inclusão da assistência a grupos até então esquecidos nas políticas de saúde da mulher no Brasil como as mulheres negras, trabalhadoras rurais, lésbicas, profissionais do sexo, presidiárias, indígenas, adolescentes, vítimas de violência sexual e de abortamento em condições inseguras. A nova política trouxe também para a discussão a necessidade da reorganização de ações definidas no PAISM no início da década de 80, a saber: climatério, planejamento familiar, prevenção do câncer do colo uterino e de mama, doenças sexualmente transmissíveis e promoção da atenção obstétrica humanizada sem riscos à saúde da mulher e do bebê.

Posteriormente, algumas dessas ações foram desdobradas em políticas e programas específicos como os de assistência à mulher em situação de abortamento, mulher vítima de violência e à saúde da mulher negra.  A necessidade da qualificação e humanização da saúde reprodutiva das mulheres volta a ser priorizada em 2011 pelo Ministério da Saúde através da “Rede Cegonha”.

Apesar dos avanços das políticas de saúde da mulher no Brasil e dos esforços dispensados para concretização das propostas elaboradas, ainda há um grande caminho a percorrer. Alguns objetivos do PAISM e da PNAISM não foram alcançados. As dificuldades em concretizar essas políticas estão diretamente relacionadas a não compreensão e/ou valorização por parte dos gestores de saúde e a não incorporação pelos profissionais de saúde do conjunto de ações possíveis para uma assistência integral e não somente voltada para o período gravídico puerperal.

 

POR QUE É IMPORTANTE CONTRIBUIR PARA A SAÚDE DA MULHER?

As mulheres representam a maioria da população brasileira (51,2%) e em Minas Gerais a proporção de mulher/homem chega a alcançar sete mulheres para um homem. Elas continuam sendo a maior clientela do SUS, seja para cuidar da própria saúde ou para buscar assistência à familiares.

Elas ainda possuem maior expectativa de vida que os homens e estão sujeitas às patologias específicas da sua fisiologia como câncer do colo uterino e de mama, além do adoecimento relacionado à persistência das desigualdades de gênero. 

 

COMO CONTRIBUIR PARA A SAÚDE DA MULHER?

A principal contribuição para a população feminina é prestar assistência humana e que considera os diferentes perfis de mulheres e suas necessidades. Seja você um enfermeiro, médico, educador físico, fisioterapeuta ou qualquer outro profissional da área, a mudança dessa realidade nacional que infelizmente perdura começa na qualidade de cada atendimento que, por fim, terá resultados nos serviços de saúde disponíveis.
A falta de acesso à informação também é um problema no país e portanto esclarecer as dúvidas, desmistificar os receios de cada mulher e incentivar práticas que às priorizem e valorizem é de fundamental importância para garantir que as mulheres se cuidem.

 

AUTORA: ANA BEATRIZ QUERINO Enfermeira Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Juiz de Fora | Enfermeira graduada pela Faculdade de Enfermagem da UFJF | Pós-graduada em Enfermagem obstétrica pela UFJF e especialista em Ativação de Processo de Mudanças na Formação de Profissionais de Saúde pela FIOCRUZ | Coordenadora e professora do Curso de Enfermagem Obstétrica do IESPE de Juiz de Fora | Enfermeira da Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde de Juiz de Fora | Enfermeira obstetra na Maternidade Viva Vida do Hospital Regional João Penido em Juiz de Fora.
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